Marcada para o perigo

capitulo 1

Lennda estava com frio, mesmo depois de passar pelo demorado banho na banheira com água quente. A temperatura baixa e diferente da qual estava acostumada, tirava dela a vontade de passear pela cidade da França. Ela continuava enrolada pelos entulhos de cobertores, ainda era 18hrs da noite e ela não havia saído do seu quarto desde quando chegara. Se arrependeria de ter ido naquele país se fosse covarde o suficiente, mas não era, e com isso aproveitaria aquelas férias, pensou ela abandonando os cobertores e vestindo seu casaco. Lennda não pensou duas vezes antes de abrir a porta e sair do quarto alugado, ela estava hospedada em um hotel de luxo que seu cunhado havia lhe dado como presente do pequeno esforço que fizera, Lennda fora demitida pelo patrão que trabalhava com ele há anos, nunca passara pela sua cabeça ser demitida pelo Sr. Lowran, eles eram muito próximos, e depois daquela discussão acabou no que deu, estava desempregada. Lennda não se preocupou em procurar um novo emprego, ela havia economizado nas despesas da sua casa e guardado seu dinheiro na poupança que abriu logo   que arrumou o emprego. Sempre soube que usaria aquele dinheiro, mais ela nunca soube o que faria dele, enfim descobriu, não foi uma boa forma de revelação, mas valeu à pena.

Suas mãos cobertas por luvas que protegia contra o frio fechou a porta de vagarosamente. Ela sentia dúvidas do que estava fazendo e não sabia se era realmente o certo, ao ver a bela iluminação do corredor do hotel ficou intrigada consigo mesma por não ter prestado atenção antes.

Ao deparar com a mulher do serviço de quarto quase caiu.

– Me desculpe. – disse a mulher decepcionada enquanto Lennda tentava se endireitar. Os olhos tristes e profundos daquela mulher jovem deixou Lennda pensativa. Não que ela fosse o tipo de pessoa que se importava com todo mundo, ao contrário, nunca ligou pra ninguém, mas aquela mulher lhe dera um sentimento de estar em uma onda gigante de tristeza e abismo.

– Tudo bem. – respondeu.

– Se me der licença eu vou limpar os quartos. – disse ela em meia voz.

– Claro. – Lennda não compreendeu o motivo por ela estar daquela maneira mais evitou ficar preocupada, aliás tinha coisas mais importantes para fazer ao ficar cuidando da vida dos outros, como se fosse a Maria fofoqueira.

Suspirou o ar profundamente e tomou coragem para sair, acabou se esquecendo que estava fazendo um esforço para andar pela rua com temperatura congelante. Decidindo não mudar de idéia ela desceu a escada uma por vez. No saguão, pela primeira vez, não tinha ninguém, as únicas pessoas que estavam ali era os funcionários. Ao passar por eles Lennda abriu a porta, ajeitou seu casaco e saiu pra fora. Tudo estava calmo, só que a temperatura era muito elevada deixando-a com dúvidas se devia ou não continuar, mandando o mais distante aquele pensamento ela continuou caminhando. Ela sentiu-se como se estivesse sendo coberta por gelo pelo corpo todo, o seu pé fazia muito barulho quando pisava um passo por cada vez naquela grama de neve branca como o leite.

Ao se dar conta, estava mais entusiasmada como nunca tivera naqueles dois dias encarcerada no quarto evitando o frio glacial.

– Desculpe. – disse Lennda quando acabou tropicando e derrubando um rapaz magro com a pele branca e cabelo castanho.

– Que isso, querida! Todos caem sem querer, até mesma você, com esse rostinho bonito. – disse ele em uma voz estranha, estranha que alertou sua mente sobre oque ele realmente era, ou queria ser. Apesar de seu francês não ser tão bom, ela conhecia muito bem os tons de vozes das pessoas.

– Ai, isso é gelado. – reclamou Lennda tirando a neve de cima do seu casaco.

– Isso é neve, meu bem. Eu acho que você não tem muita esperiência com o frio, não é? – dedurou ele olhando-a com cautela.

– Como percebeu? – perguntou ela incrédula.

– Como não se pode notar? Você demonstra todas as respostas das perguntas. – disse ele ajudando-a a levantar.

Lennda ficou fitando aquele rapaz como se não soubesse o que dizer.

– Desculpe a indelicadeza, eu esqueci de dizer o meu nome. Eu sou  Gabriel, mas me me chame apenas de Gill. – pediu.

– Gill? – perguntou ela gostando do curto nome. – Sou Lennda, é um prazer conhecer você.

– O prazer é meu Lennda. – disse ele sorrindo. – Está passeando ou está hospedada em um desses hoteis? – perguntou ele.

– Eu estou fazendo os dois. – disse Lennda sorrindo. – Você também está fazendo os dois, não é?

– Como sabe?

– Ninguém estaria andando enfrente a um hotel apenas para olhar, as pessoas de hoje são muito orgulhosas. – disse Lennda com um tanto de ironia.

– É mesmo. Você não é daqui, nem?

– Não, sou do Brasil.

– B-r-a-s-i-l? – ele gritou cada sílaba. – Eu amo o Brasil. – disse ele dançando em giros. – É um lugar com o sol, praia, beleza e natureza, – ele estava fazendo uma poesia mental, – Lennda apostou isso -.

– Porque deixar um lugar tão lindo? – perguntou ele olhando-a com curiosidade.

– Aqui também é muito bonito, hein Gill. – lembrou-o Lennda.

– Tem razão. Paris é um encanto aos turistas.

– Sim… – disse ela hesitando quando um frio forte  deixou o seu corpo doendo. – Gill acho melhor eu voltar, não estou acostumada com essa temperatura.

– Assim, claro. Vamos eu te acompanho. – convidou-se ele.

– Obrigada. – agradeceu Lennda.

– Ah! que isso, os conhecidos é pra essas horas. – brincou ele tirando de Lennda mais um sorriso.

– Tudo bem eu vou subir, até amanhã. – despediu-se ela

.- Como assim até amanhã? – perguntou Gill cruzando os braços, Lennda apenas alçou uma sonbracelha como se não entendesse. – Eu também estou ficando neste hotel, queridinha. – disse ele olhando a máleficamente.

– Ah. – Lennda deu uma risada. Gill subiu a escada ao lado dela. – Que coincidência.

-Sabe, eu acho que vamos ser grandes amigas. – comentou, Gill franco.

– Eu tenho muito azar de ter um amigo como você, Gill. – disse Lennda com o rosto sério.

– Hora, mais porque criatura? – Gill ficou um pouco triste.

– Você é muito antiquado. Como consegue fazer amizades tão rapidamente?

– Eu nunca conheci alguém tão distraída como você, Lenna… – ele hesitou como se tivesse falado algo errado. – Eu posso te chamar assim ou não?

– Não. – respondeu Lennda sorrindo.

– Então vai ter que aturar porque vou chamar assim mesmo. – disse ele rebitando a bunda. – Este é seu quarto? – perguntou Gill ao pararem no quarto 202.

– Sim.

– O meu é aquele. – informou ele mostrando a porta ao lado. – Qualquer coisa é só me chamar.

– Está bem, obrigada, Gill. – agradeceu Lennda e Gill lhe deu um beijinho no rosto e se retirou rebolando.

Lennda entrou no quarto ligando as luzes. Nunca achou que esta saidinha da toca seria tão divertida. Ela tirou o casaco grosso e ficou apenas com uma blusa de frio mais leve, o aquecedor ajudava o suficiente para deixá-la bem aconchegante. Tirando suas botas ela ficou apenas com suas meias velhas que ganhou da sua irmã no natal retrasado. Sandra não soube o que comprar ao chegar de viagem e a primeira coisa que viu comprou – e a primeira coisa que viu foi as meias -, ela deu também um porta retrato que trouxera também consigo. Na foto estava Sandra, Leonardo e ela, aquela foto eles tiraram no dia em que passaram umas férias ao Havaí, tiveram dias incríveis naquela maravilhosa ilha.

Pegando o telefone, discou o número da casa de Sandra e apertou em chamar, no segundo toque uma voz totalmente conhecida atendeu.

– Alô? – respondeu ela.

– Oi Sandra, sou eu Lennda. – disse ela com entusiasmo. Lennda já estava com saudades de casa, do trabalho e da sua irmã. Nunca desgrudara da sua irmã, quando seus pais morreram Leonardo foi uma grande força para elas duas, Lennda sempre foi grata ao cunhado, nunca soube como recompesá-lo, mas, tinha certeza que sua irmã já tinha feito isso por ela.

– Oi maninha, como você está? – perguntou ela.

– Estou bem, apesar do frio. Se te disser que eu saí da toca hoje, vai acreditar?

– Tá falando sério? – a voz parecia impressionada. – Meu Deus, até que enfim, hein! – disse ela.

– É, a neve é demais.  – admitiu ela.

– Leonardo perguntou se você não petrificou. – disse Sandra rindo da pergunta, Lennda acompanhou.

– Eu acho que não. – a risada parou e o silêncio se fez entre as duas. – Já tou com saudades de casa. – confessou.

– Eu já deveria saber. Não vai cometer a loucura de vir antes, não é mesmo?

– Não. Eu vou esfriar a cabeça um pouco. – disse Lenda se lembrando do momento em que foi dimitida. Ainda não acreditava naquilo.

– E como vai esfriar, hein. – disse Sandra em ironia. As duas deram risadas.

– Tudo bem, eu vou delisgar. Amanhã eu te ligo. – despediu-se Lennda.

– Tá, tchau. Se cuide. – pediu

– Tá bem.

Lennda deixou o telefone encima da cama e preparaou uma muda de roupa para tomar seu banho. Depois de uma bela chuveirada, ligou na recepção.

– É, no quarto, obrigado, tá. – ela desligou.

Vestindo a sua roupa Lennda esperou pelo seu jantar. Quando escutou a porta bater, etusiasmada foi correndo atender, ela estava com fome e merceia uma boa comida. Pediu o típico do seu dia-a-dia; o funcionário que usava um uniforme indicando seu nome ” Michel” segurava em uma bandeja meu jantar.

A pele dele, branca porcelana brilhava na luz do corredor bem iluminado, os cabelos negros e os olhos castanhos eram cintilantes. Lennda não soube o que aconteceu mais suas pernas enfraqueceram e seu corpo estremeceu, seus mamilos ficaram rijos e sua pele se erriçaram. Segurando a mãos na parede tentou se equilibrar para não cair. O que estava acontecendo? – perguntava-se ela a todo o momento.

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